DIGO 2020

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O V FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DA DIVERSIDADE SEXUAL E DE GÊNERO DE GOIÁS (DIGO)

“O cinema não é para entreter. É para fazer sonhar! ”
(Win Wenders)
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V DIGO – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DA DIVERSIDADE SEXUAL E DE GÊNERO DE GOIÁS

O DIGO é um festival de filmes que tem por objetivo estimular e promover a conscientização do público, no que tange o respeito integral aos direitos humanos e a inclusão.

O evento foi pioneiro no centro-oeste brasileiro, por isso DIGO, que Goiás – terra do pequi e das Cavalhadas será destaque pela quinta vez do cinema voltado para a diversidade mundialmente. A luta não pode parar e mesmo com todas adversidades seguimos em frente com orgulho, coragem e de peito aberto contra a repressão e o preconceito, é preciso ser forte, estamos aqui é ocupamos o nosso espaço na sociedade como pagantes de impostos e seres humanos.

A proposta é evidenciar a 7ª arte e suas cores pautada na luta pelos direitos humanos. Além disso, oportunizar todo tipo de manifestação artística gerando diversidade, inovação e amor sem preconceitos ou restrições. O projeto articula audiovisual, educação e tecnologias para ampliar o universo da expressão e da percepção estética da diversidade brasileira, propondo abordar não só a sexualidade, mas incorporar o sentido da realidade do ser humano e suas nuances. Assim, iremos promover as questões relacionadas a diversidade sexual, com foco sempre no respeito integral e desde sua primeira edição alcançou um público de milhares de pessoas interessadas em aprender mais sobre a diversidade e suas nuances.

Devido a pandemia do COVID-19 e decreto estadual 9.711 de 10 de setembro de 2020, que prorrogou por mais 120 dias a situação de emergência na saúde pública, o DIGO será realizado de forma on-line entre os dias 5 e 20 de novembro de 2020 em nosso site www.digofestival.com.br, gratuitamente, dentro do território brasileiro com acesso direto em todas as mídias audiovisuais.

A intenção é manter o diálogo e potência do projeto, seja pela votação do público ou por interação na plataforma na nossa programação que contará com bate papos e possibilidades de conexão, sequenciando a luta e a narrativa lgbti que está mais necessária do que nunca, como símbolo de resiliência e ferramenta de empregabilidade, orgulho, visibilidade, escuta social e voz através de produções poéticas e com narrativas ampliadas.

O DIGO tem o diferencial de distribuição de filmes da programação, e já o fez para países como o EUA, México, Peru, Itália, Portugal, Venezuela e outros, além de participação em mostras itinerantes e cineclubes. Proporciona, portanto, aos inscritos a possibilidade de participação na programação em festivais internacionais em regime de network tanto em mostras paralelas e/ou competitivas sendo um diferencial importante para os realizadores, por ser um festival vivo, constante e atuante mundialmente.

Como um dos fundadores da Red DIVERCILAC – Diversidad en el Cine Lationamericano y Caribeño – rede de festivais da América Latina e do Caribe, já inspirou e produziu parcerias internacionais como a criação do INDIGO Festival da Diversidade de Almada, Portugal, se tornando uma importante vitrine de audiovisual com a temática LGBTI+ sendo que este ano teremos uma sessão exclusiva para conectar a América Latina com o estado de Goiás.

Vamos discutir também em pleno 2020 o envelhecimento da comunidade LGBTI+ vítima de um preconceito duplo provindo do padrão de juventude e o fantasma da solidão que o que o torna invisível por diversos fatores provindos da sociedade.

Nos 15 dias do DIGO serão mostras paralelas e competitivas. Sendo que somente os filmes escolhidos pelo júri oficial e júri popular receberão o troféu DIGO. Ainda está previsto a realização de bate papo com os realizadores no Facebook do festival sempre as 19 horas, para dialogarmos as temáticas que envolvam a diversidade sexual e a de gênero, além de diversas atividades no mês de junho e julho com a sigla #digoconvida que representa a necessidade do festival crescer e aumentar o período de reflexão, discussões, ações e consequentemente maior visibilidade LGBTI+.

O Festival não termina e já terá continuidade através de uma programação de filmes na cidade de Goianésia GO no intuito de democratizar o audiovisual no interior de Goiás através de parceria com o Coletivo Uns Por Todes, em forma do primeiro evento na região do vale do São Patrício de 26 a 29 de novembro de 2020.

Uma novidade também é que além dos troféus, a premiação constará com bolsas de estudo da Academia Internacional de Cinema e com contas digitais com o valor de 500 reais do Pride Bank, Este ano, o DIGO possui o Apoio Institucional do Fundo de Arte e Cultura de Goiás.

#vemprodigo

Cristiano Sousa
– Diretor DIGO

 

Desde que eu comecei a fazer cinema sempre tive em mente contar histórias da minha comunidade. Foi assim que surgiu a idéia do meu primeiro curta-metragem ‘Um dia na vida de uma estrela’ e aos poucos eu e um grupo de cineastas começamos a nos auto-definir cineastas LGBTI+. Esse movimento ocorreu não apenas em São Paulo, mas no Brasil todo. Na primeira década do século XXI, as produções LGBTI+ cresceram e o Brasil aos poucos começou a se tornar referência nesse tipo de cinema. Mas, algo me incomodava muito, como um país do tamanho do nosso tinha tão poucos festivais que se dedicavam a esse tipo de cinema. Foi ai que surgiu o meu mestrado que tinha como temática a Identidade LGBTI+: como somos vistos, como queremos ser vistos e como devemos ser vistos. O meu sonho era ter pelo menos um festival LGBT+ em cada estado do Brasil. O RECIFEST surgiu a partir daí quando encontrei em Recife o Rutilio de Oliveira em 2012. Um pouco mais tarde fiquei muito feliz com a idéia do Cristiano Sousa em criar o DIGO. Lembro de quando mandei uma mensagem para ele pedindo para fazer a curadoria da primeira edição do festival.

De lá para cá muita coisa mudou. A produção LGBTI+ amadureceu, triplicou de número e em tempos tão sombrios o festival se tornou obrigatório.

Na curadoria o Cristiano e eu procuramos mostrar o que tem de mais moderno na produção mostrando sem medo o personagem LGBTI+ do jeito que é com seus defeitos e qualidades.

A cada ano vemos uma nova safra de cineastas de todos os gêneros e de todo território nacional e vibramos tanto quando vemos um novo nome, mas também quando vemos cineastas que continuam a contar as nossas histórias nas telas.

Longa vida ao cinema LGBTI+ e ao DIGO.

Ricky Mastro
Curador